Valéria Gurgel
"Ficção, Romance, Emoção, Aventura e suspense"
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Textos

SAGRAÇÃO

Por Valéria Cristina Gurgel

Nova Lima, 14 de novembro de 2025

A manifestação da arte em nós é algo divino. É uma conexão tão singular que no exato momento de um processo de criação chega a nos assemelhar às divindades. Por isso deveríamos sagrá-la.

Sagrar cada gesto, cada toque, cada pensamento, cada traço, cada passo, que na cadência do sentimento baila entre a inspiração e a expiração. Como uma sístole e uma diástole da emoção. E assim, nasce a palavra que gesticula o pensamento crítico, a música que toca, canta, encanta e faz bailar a alma. Tudo é possível sentir, provocar reações diversas. São catarses tantas...alegria, tristeza, gargalhadas, lágrimas, ou simplesmente emocionar-se em silêncio.

A poesia passeia pelas páginas de nossas vidas, entre pontos e vírgulas, exclamações e interrogações de nossas frases, curtas, extensas, rimadas ou não.  Não importa! São memórias afetivas que o poeta expurga de forma magistral, não precisa entender!

A escrita, quando rica em metáforas, ainda que pareça subentendida, camuflada, mal compreendida, transmuta sombras do inconsciente e desperta a imaginação.  Ela caminha lado a lado conosco e faz parte de nossas histórias, da eterna história do mundo...

E há quem ainda pergunte:

- Quando nasce o poeta? Para que serve o poeta?

- O poeta nunca nasce! Ele é um útero sensível e atento, preparado para receber as sementes da inspiração. Se expande e se encolhe, sempre acolhedor e sedento por ideias que precisam germinar, para vivificar a poesia!

O poeta não serve para servir meras mentalidades corriqueiras e curiosas e sim para nutrir o “Divinus ócios” da existência humana!

Por isso ele está muito além e aquém de nossa fragmentada percepção mundana. Ele está em constante processo de gestação. 

Se o poeta nascesse, correria o risco de um dia morrer e um poeta não morre! É um ser em constante processo de formação.

É um ser imortal! Imortal por sua poesia. Eis aí a  sagração.

A edição de uma obra literária é um ato sublime e Isabella Albuquerque quando batizou seu primeiro filho de “Sagração” certamente tinha plena consciência desse ato.

A autora diz “Leia as entrelinhas da vida e descobrirás o que o mundo te olvida”.

Sim, querida poeta Isabella! A poesia descansa nas entrelinhas ...

São aqueles preciosos cochilos poéticos que o cansaço diário se esquece de valorizar e que parecem de nada valer, mas, são tão revigorantes! Porque em um lapso de devaneio perceptivo, o imperceptível desperta e nos convida a seguir em frente.

 Por isso eu comungo com você suas egrégias poéticas:

“[...] A ânsia dessa vida arenosa

Não cabe no correr dos dias

Transborda a finitude dos tempos

Mas a despeito do desejo de eternidade

De tempo somos”.

“Sagração”  

Uma obra poética de Isabella Albuquerque.

 

 

Publicado em meu Site Literário

www.valleriagurgel.com

@valeriacristinagurgel

 

Valéria Cristina Gurgel
Enviado por Valéria Cristina Gurgel em 15/11/2025
Alterado em 17/11/2025
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