Valéria Gurgel
"Ficção, Romance, Emoção, Aventura e suspense"
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Textos

TIM...TIM... UM BRINDE À DECISÃO!

Valéria Cristina Gurgel

Tomar uma decisão é algo que requer coragem.

E essa coragem, para ser mais assertiva, requer um bocado de maturidade!

 

E essa tal maturidade, hum... ela não chega assim tão fácil e tão rápido como gostaríamos! E às vezes, ela nem chega.

 

É bem comum assistirmos aqueles que tomam decisões precipitadas e tragam um gole amargo que chega a arder a garganta, sufocar e causar aquele aperto no peito.

 

Os anos nem sempre são promissores de nossas boas decisões porque crescemos sem aprendermos a fazer escolhas!

 

Vivemos uma era onde a incerteza reina em meio às excessivas ofertas. Se torna cada vez mais difícil fazer escolhas próprias sem sermos induzidos, ludibriados.

 

Logo, as nossas decisões que deveriam estar ancoradas em uma responsabilidade sólida, não ancoram. Não há profundidade suficiente. O que acontece após nossas perigosas escolhas, é que as decisões vão sendo adiadas, até que chega um momento em que já não adianta mais decidir.

 

Por isso a tal da decisão quando tomada, precisa estar lúcida e ser degustada, lentamente, a cada gole.

Aquela decisão que quando está clara, apurada, refletida e repensada precisa ser verdadeiramente brindada, celebrada.

 

Outro dia, faz pouco tempo, vi um jovem rapaz tomar uma decisão. Estava feliz, dava boas gargalhadas e brindava com o colega numa mesa de um bar. Não é que rotularam uma cachaça com o nome de DECISÂO?!

 

Seria cômico se não fosse trágico! Quantos de nós tomamos decisões que deveriam ter uma boa dose de seriedade, mas, como se fossem brincadeiras de crianças, as tomamos como se toma um milk-shake! E depois, as consequências podem não ser nada adocicadas, nem tão divertidas assim.

 

Em nossas vidas é comum comermos o pão que o diabo amassou com o rabo, como diz o velho ditado popular e nem assim conseguimos tomar uma decisão! Aquele pão seco, que outrora escolhemos! De tão duro, quase nos entala. Ele fica muitas vezes agarrado na nossa garganta e já nem mata a nossa fome.

 

A fome de justiça, de respeito, de amor próprio, de igualdade, de gratidão, de sinceridade, de dignidade, de oportunidades, de afetos... enfim, é muita fome acumulada no largo dos anos...

 

Há que ao menos umedecer esse pão, para quiçá servir de tira gosto, ainda que sem gosto de nada e brindarmos uma decisão. Ou quem sabe também vomitá-lo se preciso for! Mastigá-lo e digeri-lo se conseguir.

 

Se possível, seguir em frente, sem medo de se auto condenar, de se engasgar, de ter má digestão, dores de estômago, ou de se afogar em lágrimas salobras e ardentes de arrependimentos...

 

O fim de ano, sempre quando se aproxima, traz junto dele uma carga muito pesada de cobranças.

Muitas delas são relacionadas às nossas próprias escolhas e decisões tão mal planejadas e mal administradas, adiadas no decorrer dos anos passados, ou de uma vida inteira!

 

Ainda dá tempo de programarmos o banquete de nossas escolhas! De forrarmos a mesa de nossas consciências, até então, bastante confidenciais.

 

Deixar cair sobre ela, uma bela toalha de cetim brocado, para adornar as nossas reflexões, de cima a baixo. Lustrarmos a bela taça de cristal do pensamento e nela, derramar o líquido sensato e suave, com um leve sabor de dever cumprido!

E...tim...tim...

Um brinde à decisão!

 

Crônica publicada em meu Site Literário 

www.valleriagurgel.com 

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Gratidão por sua leitura! 

Com afeto, da autora,

Valéria Cristina Gurgel 

Valéria Cristina Gurgel
Enviado por Valéria Cristina Gurgel em 15/12/2025
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