Crônica de Valéria Cristina Gurgel
Os motivos existem. Sempre existiram e existirão. E são muitos!
O momento é único. É o piscar de olhos, é o agora!
Insistimos em viver cheios de motivos e meias razões, mas o momento sempre é adiado. Acreditamos que ele seja sempre escasso. Nunca paramos para pensar que nós é quem o ignoramos.
Assim vamos vivendo, desperdiçando os preciosos segundos, minutos e horas. Os dias vão passando por nós, como nuvens...
E ficamos a ver navios sem estarmos diante do mar.
Passamos mais da metade da vida ou a vida inteira com uma vã certeza de que não vamos partir. Que a vida terrena é eterna.
Até que percebemos os primeiros fios brancos, o corpo cansado, as pernas não respeitando os nossos comandos.
Os motivos vão diminuindo, gradativamente.
O momento continua existindo, porém, ele passa a não valer mais nada. É a vida não vivida que acostuma-se com a triste sobrevivencia, e olhe lá, simplesmente assim, simplesmente ela.
O motivo e o momento são cruciais para girarmos o cronômetro do tempo. São como ponteiros de um relógio. E eles precisam andar juntos e bem ajustados. Se não, a vida simplesmente passará por nós, sem registro de nossas ações.
"Viver, é melhor que sonhar" já dizia Belchior.
Os sonhos nos alimentam, mas sem coragem para realizá-los se tornam apenas uma desnutrida frustração.
De motivos a vida anda cheia! Só falta consciência para percebermos que o momento é sempre único.
Crônica publicada em meu
Site Literário
www.valleriagurgel.com