Valéria Cristina Gurgel
Muitas vezes tentamos nos reduzir para caber em espaços que não nos cabem.
Não porque somos grandes por demais, mas porque nos reduzimos por de menos.
Muitas vezes fazemos contorcionismos para cabermos em malas, que nem nos pertencem, até naquelas sem alças!
Às vezes, fazemos malabarismos e tentamos carregar o mundo na palma das mãos.
Para que? Para acreditar se ter valor?
Ou, subimos no alto do trapézio para buscarmos manter um equilibrio surreal em cordas bambas!
Sequer nos damos conta de que essa corda não nos sustenta!
Ou, simplesmente acreditamos que o circo é o nosso lugar?
Nem sempre nascemos com vocação para fazer o outro sorrir enquanto estamos chorando por dentro!
Artista é quem aprendeu a arte de viver a própria vida, não a vida do outro! Pois cada um tem a sua vida. Então, que cada um viva a sua vida de forma a não exigir que o outro se reduza para caber onde o espaço é só para um.
Mas, quantas vezes insistimos em nos mantermos firmes, equilibradas em meio ao desequilíbrio. Isso cansa, desgasta, adoece, mata! E depois dizem: tadinha, ela morreu de repente!
E tudo isso porque insistimos. Acreditamos que precisamos caber, para pertencer, para fazer parte, para ser amada é preciso estar até onde não podemos ser nós mesmas; inteiras!
Vamos nos diminuindo cada vez mais para caber. Nos moldando ou nos deixamos moldar para se encaixar. E de tantos moldes, perdemos a nossa própria forma, humana e delicada de sermos quem somos ou desejamos ser. De estarmos onde realmente desejamos estar.
De tanto nos diminuirmos vamos minimizando nosso próprio valor. Deixando de ser enxergadas, respeitadas, valorizadas. Nossa identidade própria, nossa imagem, nossa essência vai desfragmentando-se até desaparecer por completo.
Naquele espaço onde insistimos em estar, em ficar. Onde não há espaço de fala, nem de escuta, nem de atenção, tampouco gratidão. Onde não há tempo para sonhar, querer ou não querer, para parar, repousar, pensar e ouvir a própria voz da consciência. Para entender o valor de um não, de um basta!
Não dá para caber onde não há espaço para sermos inteiras!
Mulher é ser em expansão. Um ser de criação, de imaginação e de um imenso coração. Precisa de espaço para pulsar no compasso de sua emoção.
Sim, Mulher precisa de espaço e liberdade suficientes para sua inteireza crescer.
Mulher é solo fértil onde a natureza sábia do sagrado feminino cresce e se multiplica em abundância.
O lugar de toda Mulher é onde ela quiser e onde não seja tolhida em sua totalidade de ser quem realmente é!
O que toda Mulher precisa entender é:
"Onde não há espaço para seres inteira, não é o teu lugar!"
*Cada texto que escrevo na categoria "crônicas" é um mergulho que busco fazer para dentro das mentes humanas...
Lá é sempre um oceano de mistérios, de ansiedades, de dores, de medos escondidos,de sonhos guardados, de lembranças, de aventurancas e desaventurancas.
Um celeiro que me inspira!
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Esclareco que não defendo discurso que incitem intrigas. É apenas meu olhar atento ao que assisto, lamentavelmente por quase toda a nossa sociedade.
É sempre possivel que seja diferente em algumas situações, que ocorrem com algumas pessoas. E que bom, mas, é bem raro.
Publicado em meu Site Literário www.valleriagurgel.com
@valeriacristinagurgel